Reforma Tributária

Açougue preparado para 2027: nota fiscal, sistema e precificação

O que dá para arrumar agora, com calma, em vez de descobrir em janeiro de 2027 que a nota não sai e o preço da bandeja está errado.

Antes de decidir com base neste texto

A Reforma Tributária está em implantação e as regras vêm sendo detalhadas por normas complementares. Este texto reflete a legislação publicada até a data acima — em especial a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025. O enquadramento de cada produto depende do NCM específico e a decisão sobre regime depende dos números do seu negócio. Confirme com o seu contador antes de agir.

Antes de decidir com base neste texto

A Reforma Tributária está em implantação e as regras vêm sendo detalhadas por normas complementares. Este texto reflete a legislação publicada até a data acima — em especial a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025. O enquadramento de cada produto depende do NCM específico e a decisão sobre regime depende dos números do seu negócio. Confirme com o seu contador antes de agir.

Existe uma assimetria confortável na fase atual da Reforma Tributária: as notas fiscais já
precisam sair com os campos de CBS e IBS, mas não há cobrança efetiva desses tributos em 2026. Isso
quer dizer que um erro de configuração hoje custa o trabalho de corrigir. O mesmo erro em 2027
custa tributo, multa ou preço errado na bandeja.

É o melhor cenário possível para arrumar a casa. Segue o que vale fazer, na ordem.

Por que fazer agora, e não em dezembro

Três razões práticas. Primeira: a revisão de cadastro de produto é demorada e chata, e ninguém faz
bem sob pressão. Segunda: os fornecedores de sistema vão ficar congestionados conforme 2027 se
aproxima. Terceira: a decisão sobre regime de apuração tem prazo próprio, e ela depende de você já
saber a composição do seu mix — informação que vem justamente da arrumação de cadastro.

1. Cadastro de produtos

É a base de tudo. No sistema novo, o NCM determina o tratamento tributário de cada item.

  • Liste todos os produtos ativos da loja, sem exceção.
  • Confirme o NCM de cada um — não confie no que veio pré-cadastrado no sistema.
  • Marque explicitamente o que é carne in natura e o que é processado.
  • Dê atenção especial aos produtos que a própria loja transforma: temperados, espetinhos,
    hambúrguer da casa, embutidos artesanais.
  • Elimine cadastros duplicados e itens inativos, que só geram erro.

2. Sistema e emissão de nota fiscal

  • Confirme com o fornecedor do seu sistema se a versão instalada já contempla os campos novos.
  • Emita notas de teste e leia o que saiu, campo por campo, em vez de só conferir
    se a nota foi autorizada.
  • Verifique se a balança e o PDV conversam corretamente com o sistema fiscal — no açougue, o
    produto pesado é onde mais aparece divergência.
  • Cheque a validade do certificado digital e programe a renovação.
  • Guarde as notas de teste. Elas são a sua evidência de que o processo foi validado.

3. Compras e fornecedores

Como o crédito passa a valer dinheiro, a disciplina documental deixa de ser burocracia.

  • Exija nota fiscal em toda compra, inclusive nas pequenas: manutenção,
    embalagem, material de limpeza, serviço de terceiro.
  • Confira se o CNPJ da sua empresa está correto nas notas de energia, água, telefone e
    internet — nota emitida no CPF do sócio não gera crédito para a empresa.
  • Levante quais dos seus fornecedores são do Simples e quais são do regime regular.
  • Organize um arquivo digital das notas de entrada. Crédito sem documento não existe.

4. Precificação

Este é o item que mais gente esquece, e o que mais afeta o resultado.

Se a carga tributária de um produto muda, o preço de venda montado sobre a carga antiga fica
errado — para mais ou para menos. Produto com alíquota zero abre espaço para revisão de preço ou
ganho de margem; produto que sai da situação atual para uma tributação diferente pode ter a margem
comprimida sem ninguém perceber.

  • Refaça a formação de preço separando in natura de processado.
  • Considere o efeito do crédito das compras no custo real — ele reduz o custo efetivo.
  • Simule dois cenários, com e sem a opção pelo regime regular de IBS e CBS.
  • Defina agora como você vai comunicar eventual redução de preço ao cliente. Se a carne ficar
    mais barata e o concorrente ao lado repassar antes de você, o benefício vira desvantagem.

5. Equipe e rotina

  • Quem cadastra produto novo precisa saber que o NCM não é campo de preenchimento livre.
  • Defina uma pessoa responsável por conferir as notas de entrada.
  • Combine com o contador uma conversa trimestral durante a transição — o cenário vai continuar
    mudando até 2033.

O checklist, resumido

Quando O quê
Este mês Levantar o mix de faturamento (in natura x processado x outros) e levar ao contador a
simulação do regime de IBS e CBS.
Próximos 60 dias Revisar o cadastro de produtos item a item e confirmar os NCMs.
Até o fim de 2026 Validar a emissão de nota com os campos novos, organizar o arquivo de notas de entrada
e corrigir cadastros de fornecedores de energia e serviços.
Antes de 2027 começar Refazer a precificação nos dois cenários e treinar quem cadastra produto.
Durante 2027 Acompanhar a apuração mês a mês e conferir o saldo credor acumulado.

Nenhum desses itens é difícil isoladamente. O que dá trabalho é fazer todos ao mesmo tempo, em
janeiro de 2027, com a nota travada e o cliente esperando no balcão. Por isso o melhor momento para
começar é agora, no ano em que o erro ainda é de graça.


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